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Abuso: A necessidade de completa transparência e afirmações contundentes na busca por reconciliação

Nota: este artigo é o terceiro de uma série de quatro artigos sobre Abuso. Para mais, veja a Parte 1 e a Parte 2.

Como parte desta série sobre abuso, estarei rapidamente compartilhando com vocês como nosso time de aconselhamento lida com um aspecto do aconselhamento de abusadores e suas vítimas. Temos uma série de etapas que nossos aconselhados de abuso passam: reconhecimento, no qual tanto o abusador quanto a vítima compreendem que o que aconteceu no relacionamento foi abuso. Arrependimento é o próximo passo, quando o abusador admite e entende que ele pecou, sem jogar a culpa em outra coisa, racionalizar, ou justificar. Há uma mudança em seu coração em relação ao seu pecado. Ele não mais deseja demonstrar poder, controle ou raiva em sua vida, e passa a focar no pecado em seu coração. Os dois passos finais são reconciliação, que é o conteúdo desse blog, e reunificação, quando o casal é novamente unido.

Reconciliem-se uns com os outros

Eu acredito que o objetivo de todo aconselhamento bíblico é a reconciliação (sempre que possível). Encontramos isso em toda a Bíblia, quando Deus busca reconciliar Seu povo a Si mesmo. O povo de Deus era enganador, idólatra, adúltero, egoísta, ímpio, corrupto, tolo e rebelde, dentre outras coisas (Isaías 1.1–3; Neemias 9.17; 1 João 3.4; Gálatas 5.19–21). Ainda assim, Deus, em Sua infinita misericórdia, condescendeu-se e veio em forma humana ser o perfeito sacrifício pelo pecado (Filipenses 2.5–8). Cristo providenciou um modo para humanidade ser reconciliada com Deus, e Deus deseja que nos reconciliemos uns com os outros (Colossenses 3.12–13).

Reconciliar um abusador e sua vítima deve ser parte do processo de aconselhamento bíblico na medida em que o casal se dirige à reunificação. Para ser claro, esse processo é longo, e o abusador e a vítima, a essa altura, estão separados já há muitos meses.

Arrependimento e mudança

O requisito para o início da fase de reconciliação é que o abusador demonstre ativo e contínuo arrependimento de coração que é evidenciado por uma mudança visível em sua vida por no mínimo 6 a 12 meses. É apenas após a equipe de aconselhamento ter observado arrependimento contínuo e mudança de coração e na vida do abusador, e a vítima estar preparada para esse passo, que começamos a conversar sobre reconciliação. Nosso dever para com a vítima é certificar (o máximo possível) que o abusador reconhece suas ações como pecadoras. Ele precisa admitir que, em sua busca por poder, controle e demonstrações de raiva, ele atacou uma pessoa feita à imagem de Deus (Gênesis 1.26), e que seu pecado irou e entristeceu o Deus Santo.

A essa altura, a vítima terá trabalhado a ira, amargura, e temor a homens que experimentou em seu próprio coração. Ela terá aprendido a como responder biblicamente a destrato e palavras impiedosas através da encenação de exemplos reais em seu processo de aconselhamento. Ela estará confortável para confrontar o pecado e terá trabalhado como o perdão toma forma nesse relacionamento (Mateus 18.15–17; Tiago 5.20; Gálatas 6.1).

Confessem seus pecados uns aos outros

Como parte do plano, é pedido ao abusador que escreva com detalhes a revelação de seu pecado e ofensas contra a vítima. A equipe de aconselhamento irá interagir com ele e suas afirmações na sessão seguinte e determinar se ele está genuinamente arrependido e pronto para o próximo passo, ou se mais aconselhamento é necessário. Procuramos evidências de arrependimento verdadeiro. Seu pecado o coloca em luto? Ele reconhece que ao fazer o mal a sua esposa, fez mal a si mesmo? Ele entende a gravidade de seu pecado perante Deus? Ele entende abuso da forma que Deus vê? A sua confissão diz mais a respeito de si ou sobre seu luto, lamento, e a dor que seu pecado trouxe a vida de sua esposa e filhos? Ele está inventando desculpas para suas ações? Ou ele tem se apropriado de seus comportamentos e demonstrado mudança de coração? Ele pede perdão por esses comportamentos?

Uma vez que o time de conselheiros tem certeza que tais afirmações refletem um coração arrependido, a vítima é questionada se está pronta para uma reunião em grupo com seu marido e a equipe de conselheiros. Nós a asseguramos que a protegeremos se necessário e nós não permitiremos que nenhum mal lhe acometa durante a reunião.

Em preparo para essa conversa, ela deve escrever um texto com detalhes de como o abuso sofrido a afetou, juntamente a suas crianças, se necessário. Ela é encorajada a dizer qualquer coisa que deseja dizer a ele durante a sessão em como as ações dele impactaram sua vida espiritualmente, emocionalmente, sexualmente e fisicamente. Costumeiramente ela inclui uma frase de que as coisas jamais voltarão a ser do jeito que eram antes da separação.

Nós planejamos duas horas de conversa para que haja total transparência e o texto da vítima seja lido e discutido depois. Ambos os conselheiros estão presentes com o casal. O abusador lê seu texto primeiramente, e depois a vítima com o seu texto em resposta. Essas reuniões são extremamente emotivas, com muitas lágrimas derramadas tanto pelo marido como pela esposa. O perdão é pedido após a confissão e, até agora, não tivemos uma vítima que tenha se recusado a perdoar seu marido.

Novos recomeços

Essa reunião é apenas o começo do processo de reconciliação e há diversas sessões de aconselhamento do casal daí pra frente. Toda vez que nos encontramos, ambos aconselhados trazem tópicos que foram áreas de discórdia entre o casal para que seja tratado. Eles conversam entre si na nossa frente, usando as habilidades bíblicas de comunicação que desenvolveram durante as sessões de aconselhamento individual. Quando necessário, os conselheiros se tornam ativos nessas sessões, ensinando, admoestando, corrigindo e treinando o casal em retidão (2 Timóteo 3.16). Se o antigo abusador começa a regredir, a sessão é interrompida, a esposa e conselheiro deixam a sala e o aconselhamento volta a ser individual.

Esse processo continua em passos vagarosos. O casal passa tempo junto supervisionado em público, conversa pelo telefone e, eventualmente, sai para encontros.

Essa é uma visão geral rápida do processo, com o objetivo de que você entenda que uma descrição completa e afirmações de impacto do ocorrido são partes necessárias e belas do processo de restauração matrimonial após o abuso ter acontecido.

Questões para reflexão

Você já usou transparência completa e afirmações de impacto em seu ministério de aconselhamento ao lidar com casos de abuso? Se não, o que tem te impedido de usar?

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*Os conceitos e posicionamentos emitidos nos textos aqui publicados são de inteira responsabilidade dos autores originais, não refletindo, necessariamente, a opinião da direção e membros da ABCB em sua totalidade.

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