PRAZER: AMIGO OU INIMIGO?
- Por Jason Hsieh
- há 12 horas
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Por Jason Hsieh
“Descobri o segredo para fazer a tentação desaparecer!” Foi o que um amigo me disse alguns anos atrás. Como pastor, conselheiro e pecador, esperei ansiosamente que ele me contasse o segredo para algo com que muitos de nós lutamos. Sempre bem-humorado, ele comentou: “Quando vejo um donut na minha mesa, eu simplesmente o como, e a tentação vai embora!”
Embora possamos rir de um agrado ocasional, não podemos fazer o mesmo quando se trata da busca pecaminosa pelo prazer. Em último caso, nosso relacionamento com o prazer pode estar desordenado e precisar de uma recalibração bíblica. Este texto oferece perguntas destinadas a nos ajudar a compreender e buscar o prazer biblicamente.
1. O que Deus pensa sobre o prazer?
Vemos diversas vezes nas Escrituras que o próprio Deus experimenta prazer. Ele se deleita grandemente em sua criação e em seus filhos, especialmente quando nós seguimos os seus caminhos (Salmo 104.31; 1Crônicas 29.17; Sofonias 3.17; Salmo 149.4). Quando consideramos nosso corpo, fica claro que Deus nos criou para experimentar prazer. Endorfinas e dopamina são liberadas quando nos exercitamos, rimos ou nos conectamos com outras pessoas. Deus nos fez com papilas gustativas e outros órgãos sensoriais, em parte para que possamos experimentar prazer.
Deus é a favor do prazer de acordo com seus mandamentos e maneira que Ele projetou nossos corpos para funcionar. É também por isso que experimentamos consequências prejudiciais quando buscamos prazer fora de seus desígnios — nosso corpo se deteriora quando comemos muita comida não saudável, ou nossos relacionamentos são afetados quando buscamos prazeres pecaminosos. Cada uma dessas consequências são forma de Deus nos conduzir de volta aos seus propósitos.
2. De que maneiras os cristãos podem experimentar prazer?
O fundamento do nosso prazer vem de obedecer aos caminhos de Deus (Salmo 37.4). Como mencionado acima, quando buscamos prazer fora dos limites estabelecidos por Deus, experimentamos consequências. Para o nosso próprio bem, precisamos caminhar pela fé, filtrando nossos desejos pela lente daquilo que é biblicamente permitido. Com isso em mente, podemos louvar a Deus porque Ele nos criou para experimentar prazer de multifacetadas formas:
Físico, como arte, literatura, música e natureza (Salmo 104.24–25); bebidas e alimentos saborosos (Salmos 104.14–15); risadas (Provérbios 17.22); ou a intensidade do prazer sexual em um próspero casamento (Provérbios 5.18–19).
Cognitivo ou emocional, como satisfação por um trabalho bem realizado (Eclesiastes 3.12–13); vendo os filhos crescerem em semelhança com Cristo (Provérbios 23.24); ou olhando para a eternidade em meio às dificuldades (Hebreus 12.2).
Relacional, como amizades profundas; casamento; comunhão com cristãos que compartilham da mesma fé (Salmo 133.1; Filipenses 1.3–5).
Observe que algumas experiências, como apreciar um pôr do sol, fazer uma trilha, e deleitar-se com música, pode fazer parte de múltiplas facetas do prazer.
3. Existe um tipo de prazer melhor ou mais “piedoso” que outro?
Vamos considerar alguns aspectos como esforço, duração, propósito e riscos de cada tipo de prazer para responder a essa pergunta.
No prazer físico: Esse tipo de prazer pode vir com relativamente pouco esforço e de forma imediata em comparação com os outros tipos. Por essas razões, ele pode ser a forma de prazer mais fácil de ser buscada de maneira imprudente ou pecaminosa. Ou, se buscarmos o apenas prazer físico, podemos estar menos inclinados a realizar o esforço necessário para alcançar os outros tipos de prazer. Em termos simples, precisamos ter mais respeito e temor em relação ao prazer físico do que costumamos ter. Podemos cair na armadilha de enxergá-lo como um inofensivo ursinho de pelúcia, quando na verdade deveríamos vê-lo mais como um urso cinzento, algo que deve ser apreciado, mas também reconhecido como potencialmente perigoso.
No prazer cognitivo, emocional ou relacional: Esses exigem mais esforço para serem obtidos. Pense na diferença entre preparar uma refeição saudável e saborosa e simplesmente pedir um hambúrguer com batatas fritas. Assim como o prazer físico, esses prazeres devem nos levar à gratidão e apontar para Deus como o doador dessas dádivas. Mas, porque exigem mais esforço e tempo, eles podem nos treinar para o serviço, devoção e disciplina de maneiras que os prazeres físicos imediatos dificilmente conseguem.
Esses tipos de prazer também tendem a durar mais que os tipos físicos. Se você estiver se sentindo para baixo e quiser se sentir melhor, compare o prazer de comer um doce ou praticar algo pecaminoso, como assistir pornografia, com o prazer de olhar para trás e sentir satisfação por um trabalho bem feito. O prazer físico dura apenas enquanto o corpo está recebendo o estímulo. Já o prazer cognitivo de um trabalho bem realizado permanece enquanto você puder se lembrar dele.
Esses tipos de prazer também podem representar perigos. Por exemplo, envolvimentos emocionais ilícitos podem atrair ambos homens e mulheres, e o trabalho, os filhos e o casamento podem se tornar substitutos de Deus.
4. É correto buscar prazer físico pelo prazer em si, ou o prazer é melhor desfrutado como consequência de um estilo de vida piedosa?
Sim para ambos! Não precisamos cair no extremo de condenar o prazer físico como fez a igreja em Colossos (Colossenses 2.20–23). 1 Timóteo 4.4-5 ensina que tudo o que Deus criou é bom, e se estamos buscando algo permitido com gratidão, sem prejudicar nossos relacionamentos (1Coríntios 10.23–24), e sem escravizar-nos (1 Coríntios 6.12), podemos desfrutar dessas coisas para a glória de Deus.
Portanto, é aceitável buscar prazer pelo prazer em si, mas isso deve ocupar uma parte menor da “dieta” da nossa vida. As Escrituras nos alertam contra viver baseado na busca por prazer físico (Filipenses 3.19). Nossa vida deve ser fundamentada em agradar a Deus e servir aos outros, não em buscar prazer (2 Timóteo 3.1–4). Como escrevi anteriormente, a fidelidade aos mandamentos de Deus, o serviço e a devoção aos outros (como no casamento ou na participação significativa em uma igreja local), e diligência nas tarefas que Deus nos confiou podem levar à alegria e ao prazer como consequência, mesmo que esse não seja o objetivo principal de tal ação.
Conclusão
Este breve texto não pode abordar tudo sobre o prazer. As perguntas abaixo visam ajudá-lo a refletir de maneira mais pessoal e profunda sobre os conceitos acima.
Perguntas para reflexão
1. O que você considera prazeroso? Por que isso lhe parece prazeroso? De que maneiras você pode agradecer a Deus por isso?
2. Como aquilo que você considera prazeroso aponta para algum aspecto do caráter ou da natureza de Deus?
3. Como você saberia quando algo prazeroso passa de benéfico para apenas permissível, de permissível para não sábio, e de não sábio para pecaminoso?Para redimir prazeres pecaminosos, como seria trabalhar no caminho inverso?
4. Com quem em sua igreja você pode conversar sobre essas questões?
Sobre o autor: Jason Hsieh serve como pastor associado de discipulado e aconselhamento na Grace Harbor Church, em Providence, Rhode Island, e como diretor executivo do Paradigm Biblical Counseling, também em Providence. Anteriormente, trabalhou com políticas públicas na área de saúde, serviu em vários ministérios de discipulado e aconselhamento na Capitol Hill Baptist Church, em Washington, DC, e foi pastor de discipulado e aconselhamento na Trinity Baptist Church, em Grand Rapids, Michigan. Jason possui mestrado em Saúde Pública pela UNC Chapel Hill e mestrado em Aconselhamento Bíblico pelo Southeastern Baptist Theological Seminary.
Original disponível em:
* A Biblical Couseling Coalition autorizou a tradução do artigo, sendo a reponsabilidade pelo conteúdo traduzido da ABCB.
Traduzido por: Alex Mello
Revisado por: Lucas Sabatier



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