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Atenção Conselheiro (a)

Eu mentoreio mulheres que estão se preparando para serem conselheiras bíblicas e um dos meus objetivos é ajudá-las a evitar potenciais armadilhas no aconselhamento. Abaixo apresento algumas armadilhas comuns, às quais devermos estar atentos como conselheiros bíblicos.

Pressa

Quando pessoas em sofrimento vêm a nós com problemas, não precisamos ter pressa. Ao invés disso, entre na crise e no sofrimento delas, ajudando-as a encontrar esperança e consolo em Cristo. Desejamos ajudá-las a entender a liberdade que possuem ao abraçar a verdade da Palavra de Deus e viver de acordo com a mesma. Queremos ajudá-las a assumir responsabilidade pessoal por suas reações na medida que aprendem a ter uma perspectiva eterna sobre o sofrimento.

Levará tempo e paciência para chegar às questões do coração. Devemos ouvir bem enquanto juntamos informações sobre suas vidas e as maneiras em que estão sofrendo atualmente. Mais importante, queremos ajudá-las a ver Deus em meio ao que estão passando. Isso leva tempo. Respostas prontas não ajudam a produzir uma mudança de coração. Além disso, devemos ser cuidadosos para não sermos pegos tratando problemas nos “frutos” ao invés dos problemas nas “raízes”. Queremos usar a palavra de Deus para confrontar raciocínio equivocado, teologia fraca e uma visão apequenada a respeito de Deus para que nossos aconselhados possam olhar para suas vidas e circunstâncias através das lentes da Escritura e responder, em seguida, de maneiras que agradam e honram a Deus.

Solucionar problemas

Quando um aconselhado vier com uma nova questão ou problema a cada semana, nós podemos de maneira impensada deixar o aconselhado estabelecer a agenda para a sessão de aconselhamento. Isso pode nos tirar dos trilhos e pode nos tentar a esquecer o objetivo — que nossos aconselhados tenham uma visão correta e bíblica de Deus, a fim de interpretar a vida através da verdade da Palavra de Deus e agradar e honrar a Deus em todos os aspectos de suas vidas. Apenas possuindo esse conhecimento elas serão capazes de resolver problemas futuros de forma bíblica. Nós devemos evitar tentar conter pequenos incêndios ao custo de focar em ajudar nossos aconselhados a crescer para serem mais parecidos com Cristo.

Foco no sentir-se melhor

Devemos ser cuidadosos para não focar em abordagens de aconselhamento baseadas no desempenho. Essas abordagens focam em ajudar o aconselhado a se sentir melhor sobre ele mesmo ou suas circunstâncias — ajudando-os a funcionar de maneiras que lhes tragam alívio a sua dor por viver em um mundo caído onde peca e sofre pelo pecado de outros. Certamente, queremos passar o consolo de Deus aos aconselhados, mas nosso objetivo não é meramente ajudá-los a se sentirem melhor ou tornar suas vidas mais administráveis. Se esse fosse o objetivo principal, não haveria mudança de coração, nenhum foco na eternidade, nenhuma necessidade de um Salvador e nenhuma glória a ser dada a Deus. Não queremos ajeitar mudanças superficiais, mas sim buscar a transformação do coração.

Falta de certeza em como tratar uma questão

Uma aconselhada pode trazer questões muito difíceis ou situações que estão passando que podem apresentar algo que não temos certeza de como tratar. Ao invés de falar para preencher o tempo ou tentar parecer ter uma resposta quando na verdade não temos certeza de como tratar o problema biblicamente, é melhor dizer: Esta questão é importante e deve ser tratada como tal, voltaremos a essa questão assim que tivermos tido tempo para orar, estudar a questão ou consultar nosso pastor ou mentor para chegarmos a um melhor entendimento de como devemos lidar com isso.”

Expectativas irreais

Precisamos estar atentos a nossas expectativas em relação ao progresso de nossas aconselhados. Queremos que eles abracem a verdade de Deus o mais rápido possível enquanto crescem no amor de Deus e se tornam mais como Cristo. Mas aconselhamento é algo complexo porque pessoas e suas vidas são complexas. Pecado e sofrimento complicam a vida. Pode ser que nosso aconselhado não progrida tão rápido quanto pensamos que deveria ou gostaríamos. Mas se amarmos as pessoas direito, precisamos dar a elas tempo para crescer em entendimento e aplicação da Palavra de Deus, assim como tempo para crescer em sabedoria para reconhecer áreas de suas vidas que precisam ser tratadas.

Não esperar dificuldades

Dificuldades frequentemente nos pegam de surpresa. Jesus disse em João 16.33: “Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições”. Precisamos ajudar nossos aconselhados a entender que Deus tem um propósito para nossas aflições e ajudá-los a se apegar às promessas de Deus. Nossas dificuldades trabalham para o nosso bem e para a glória de Deus ao sermos transformados à semelhança de Cristo, e nada pode nos separar do amor de Deus. (Romanos 8:28– 39).

Nós deveríamos esperar encontrar dificuldades que apenas podem ser enfrentadas apenas com a ajuda de Deus. Jesus disse: “Eu sou a videira, vós os ramos. Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto, porque sem mim nada podeis fazer” (João 15.5). As dificuldades expõem a quem estamos entregando nossa confiança ao lidar com os problemas da vida. A Palavra de Deus tem as respostas que precisamos, portanto, nossa confiança deve estar em seu amor, graça, misericórdia, sabedoria e força.

Conclusão

Conselheiros bíblicos devem tomar cuidado para não cair em nenhuma dessas armadilhas comuns que podem nos afastar de sermos efetivos no ministério da Palavra de Deus. Que nossa oração sempre seja que o Senhor nos ajude a crescer em sabedoria e amor ao ministrarmos sua Palavra às pessoas que buscamos ajudar.

Questões para reflexão

Você identifica alguma dessas armadilhas em seu aconselhamento? Quais áreas de seu aconselhamento precisam ser aperfeiçoadas, a fim de ser uma conselheira mais eficaz?

Este post, de autoria de Beverly Moore, foi originalmente publicado no blog da Biblical Counseling Coalition. Traduzido por Natália Rios e revisado por Lucas Sabatier. Republicado mediante autorização.

*Os conceitos e posicionamentos emitidos nos textos aqui publicados são de inteira responsabilidade dos autores originais, não refletindo, necessariamente, a opinião da direção e membros da ABCB em sua totalidade.

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