Como saber se estou aconselhando um crente?
- Keith Evans
- há 2 dias
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Por Keith Evans
A dúvida de um conselheiro
Estou certo que você já teve esse tipo de questão em seu aconselhamento. Você está trabalhando com uma pessoa, buscando ajudá-la, e acreditando estar aconselhando um crente. Mas, à medida que o caso se desenrola e avança, uma dúvida real começa a surgir em sua mente sobre se a profissão de fé em Jesus Cristo é genuína — se o estilo de vida, as coisas que ele fala, como ele pensa, ou como ele vive estão, realmente, colocando em xeque a realidade da regeneração em Cristo, se o conhece e se caminha com Ele de maneira transformada.
Essa dúvida incômoda na mente do conselheiro revela que precisamos de uma maneira útil e bíblica de avaliar a posição de alguém diante do Senhor, mais do que simplesmente uma profissão de fé convincente.
Mais do que uma profissão de fé
Fui criado nas décadas de 80 e 90, quando era comum dedicar a vida a Cristo e, depois, repetir a dedicação outras vezes. Como filha única, minha família queria garantir que eu estivesse segura e salva, e acredito que fiz a oração do pecador pelo menos meia dúzia de vezes antes de chegar ao ensino fundamental. Sou grata pela minha família e pelo amor da igreja por mim.
Existe, porém, uma fraqueza inerente ao conversionismo — a noção de que simplesmente fazer uma oração significa que você está salvo e, portanto, sabe que está salvo. Além disso, há fraqueza em basear tudo somente em uma profissão de fé. Claro, sabemos que existem pavios fracos e canas tortas que o Senhor Jesus não apaga nem quebra. Alguns crentes têm muitas dúvidas e uma expressão muito frágil de sua fé, mas isso não significa que não sejam crentes genuínos. Pode simplesmente significar que sua profissão de fé é mais fraca do que a de outros.
Confio que você também já teve a experiência oposta — em que a pessoa está muito confiante de que está salva, e ainda assim, ao trabalhar com ela, você pensa que ela não deveria estar tão confiante. Afinal, o próprio Senhor ensinou que muitos dirão naquele fatídico dia: “Senhor, Senhor, não fizemos nós…?” (Mateus 7:22-23). Eles oferecerão uma profissão de fé confiável e até mesmo o que parece ser uma profissão de prática fiel como evidência dessa fé.
Não queremos insistir na conversão repetidamente na sala de aconselhamento. Não queremos replicar o padrão dos anos 80 e 90 de levantar a mão, caminhar até o altar e se render a Cristo várias vezes. Então, será que existem outras considerações que devemos ter em mente ao perguntar se estamos aconselhando um crente?
O lugar de uma boa igreja
Sempre quero perguntar sobre o relacionamento deles com a igreja de Jesus Cristo. Afinal, o Senhor Jesus não salva pessoas separadas do Seu corpo, que Ele estabeleceu como Sua arca para conduzir as pessoas através do dilúvio desta vida para a nova criação. Ele opera em, através de e com a Sua igreja. Por isso, não devemos ser rápidos em abandonar a assembleia (Hebreus 10:25), mas sim submeter-nos à sua legítima autoridade e, como os cristãos do primeiro século no livro de Atos, dedicar-nos ao ensino dos apóstolos e uns aos outros (2:42).
Batismo
Portanto, sempre pergunto se meu aconselhado participou do rito de iniciação que Jesus deu à Sua igreja do Novo Testamento: o batismo. Eles são membros batizados? Não apenas isso, quero saber se foram batizados em uma igreja verdadeira. São membros de um ramo da igreja visível?
Membresia
É claro que algumas igrejas têm visões diferentes sobre as práticas de membresia, e algumas não praticam a membresia formal nem mantêm uma lista de membros. Isso não significa que sejam uma expressão ilegítima da igreja de Jesus, ou que esses queridos santos não sejam membros de uma igreja verdadeira. Pode simplesmente refletir um estilo diferente de praticar a membresia na igreja, mesmo que não seja formalizada como em outras assembleias.
Ainda assim, ao perguntar se são membros batizados em um ramo da igreja visível, o que se quer dizer é que não foram batizados em uma seita ou em alguma expressão cristã ilegítima, como é o caso das Testemunhas de Jeová, das assembleias mórmons ou de outras organizações desviadas.
Em boa comunhão
Também avalio sempre se estão em boa comunhão com sua igreja local. Uma coisa é dizer que são membros ou que foram batizados, mas e se nunca frequentam os cultos e simplesmente permanecem no rol de membros? Também não basta dizer que são membros se estiverem sob disciplina eclesiástica ou já tiverem sido disciplinados. Mesmo assim, alegar ser membro de uma igreja em tais cenários não resolve a questão.
Portanto, os pontos que sempre avalio ao me encontrar com aconselhados, além da profissão de fé, são os seguintes: São batizados? São membros de um ramo da igreja visível? E estão em boa comunhão com esse corpo?
Ortodoxia e ortopraxia
Esse último ponto nos direciona à necessidade de algo mais do que mera ortodoxia para ser corretamente chamado de cristão. Precisamos de mais do que professar a verdade — não apenas ortodoxia, mas ortopraxia. A igreja de Jesus Cristo perdeu a compreensão correta que considera tanto a ortodoxia quanto a ortopraxia, que é o viver da vida cristã.
Afinal, o livro de Tiago diz: “Mostre-me a sua fé sem obras, e eu lhe mostrarei a minha fé pelas obras” (2:18). Então, como sei se estou aconselhando um crente? Busco uma fé acompanhada da demonstração externa dessa fé na forma de uma profissão de fé crível, um jugo de união com Cristo no batismo, participação no corpo de Cristo — sem o qual não há possibilidade ordinária de salvação — e uma vida que busca a obediência cristã, em vez de viver de maneira obviamente desordenada.
Portanto, sempre procuro avaliar esses fatores: a pessoa tem uma profissão de fé crível, aliada a uma vida que corresponda à sua afirmação? Eles são membros batizados de uma congregação visível da igreja e estão caminhando fielmente nesse corpo? Essas são coisas a serem observadas quando nos perguntamos: "Estou aconselhando um crente?"
Questões para reflexão
1) Desses quatro fatores (profissão de fé, batizado, membro, em plena comunhão), qual você considera o mais útil para ajudar as pessoas a discernir sua posição em Cristo?
2) Que perguntas ou ferramentas de coleta de dados você utilizaria para avaliar essas quatro características do cristão?
3) Se você estiver aconselhando alguém que é doutrinariamente bem articulado e afirma amar a Cristo, mas está vivendo em evidente e contínua resistência contra a obediência bíblica, como a relação entre ortodoxia e ortopraxia o ajudaria a abordar o aconselhamento dessa pessoa com amor?
Sobre o autor
O Dr. Keith Evans é professor associado de aconselhamento bíblico no Seminário Teológico Reformado em Charlotte, Carolina do Norte. Keith leciona em nível de seminário desde 2018 e atua no ministério pastoral desde 2011. É casado com Melissa e tem quatro filhas. Keith concluiu seu doutorado em aconselhamento bíblico no Southern Baptist Theological Seminary, em Louisville, Kentucky.
Originalmente publicado pela Biblical Couseling Coalition (traduzido com autorização):
Tradutor e Editor: Alex Mello
Revisão: Lucas Sabatier



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