O que eu gostaria que alguém tivesse me dito antes da minha primeira sessão de aconselhamento
- Josh Weidmann
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Por: Josh Weidmann
Lembro-me de entrar na minha primeira sessão de aconselhamento bíblico com um bloco de notas, uma folha com referências cruzadas, minha Bíblia e a convicção silenciosa de que eu estava prestes a consertar a vida de alguém. Eu dominava a teologia. Orei antes. Mas não tinha a real noção de quanto ainda precisava aprender — sobre aconselhamento e sobre mim mesmo.
Anos depois, continuo me encontrando com pessoas cujas vidas estão desmoronando. Vi Deus salvar casamentos, libertar pessoas de vícios e realizar muitas outras coisas notáveis nas salas de aconselhamento. Também vi aconselhados saírem sem mudanças e, em meio a tudo isso, cometi erros suficientes para preencher vários cadernos. Agora, após quase duas décadas como pastor e conselheiro, aqui está o que eu gostaria que um conselheiro bíblico iniciante soubesse antes de sua primeira sessão.
1) Você não é o Salvador deles
Isso parece óbvio até que você chega à terceira sessão de um caso difícil e se vê sem dormir, repassando mentalmente o que deveria ter dito. Novos conselheiros frequentemente carregam um peso silencioso: "Se eu encontrar o versículo certo, a pergunta certa, a abordagem certa, essa pessoamudará". Mas as Escrituras são claras sobre quem realmente salva e santifica. Paulo planta, Apolo rega, mas Deus dá o crescimento (1 Co 3.6-7). Você é quem planta e quem rega. Você não é o sol e não é a chuva.
No entanto, essa liberdade não é uma licença para a preguiça. Isso serve como uma proteção contra o tipo de orgulho que se disfarça de diligência. Quando você se lembra de que Jesus é o Redentor e você é simplesmente o instrumento dEle, você aconselha com mais humildade e paz. Você pode se preparar fielmente e depois deixar o resultado nas mãos de Deus, pois o resultado nunca foi um fardo para você carregar.
2) Não leve para o lado pessoal quando eles se afastarem
Algumas das pessoas que você aconselha abandonarão. Algumas deixarão de retornar suas mensagens. Outras se sentarão à sua frente, concordarão com tudo o que você disser, mas voltarão para casa e farão exatamente o que já estavam fazendo. Isso não é novidade. Jesus viu um jovem rico escolher afastar-se entristecido em vez de abrir mão daquilo que amava (Marcos 10:22). Se pessoas se afastaram da Sabedoria Perfeita Encarnada, o mesmo acontecerá com você.
Quando isso acontecer (não ‘se’, mas ‘quando’), faça o trabalho difícil e honesto de perguntar a si mesmo o que poderia ter feito melhor: você foi paciente? Ouviu antes de falar? Fez de Cristo o objetivo, em vez de apenas uma mudança de comportamento? Aprenda a lição. Mas não permita que a resistência de alguém que você aconselhou se torne um julgamento sobre o seu valor ou o seu chamado. A resposta deles diz respeito apenas a eles e ao Senhor. Paulo teve seguidores que receberam seu ministério com alegria e outros que o trataram como inimigo por lhes dizer a verdade (Gálatas 4:16). Ele continuou em frente. Você também deve continuar.
3) Conheça seus limites — especialmente os limites do seu tempo
Ninguém me disse, no início, que uma única hora de aconselhamento poderia exigir duas ou três horas de preparação: estudar o texto, orar pelo caso, fazer anotações, planejar o acompanhamento. Se você tratar essa preparação como algo secundário, encaixado às pressas em uma semana cheia, você sofrerá esgotamento, prejudicará a pessoa à sua frente ou ambas as coisas.
Considere esse "custo" real em sua agenda antes de marcar a sessão.
Jesus se retirava para ser renovado antes de se doar novamente (Marcos 1:35; Lucas 5:16). Se o Filho de Deus precisava de tempo sem pressa para se preparar para o ministério, você também precisa. Proteja esse tempo com o mesmo zelo com que protege a própria sessão.
4) Crie um sistema e mantenha-o à mão
Um aconselhamento desorganizado é um aconselhamento que falta com a bondade. Quando você não consegue encontrar rapidamente o que foi discutido na última sessão ou qual era a tarefa de casa, a pessoa aconselhada percebe isso, mesmo que não verbalize, isso a mágoa. Mantenho em meu consultório um caderno com os conceitos e exercícios de aconselhamento aos quais recorro constantemente — estruturas para lidar com a raiva, tarefas para pensamentos ansiosos, diagramas que aperfeiçoei ao longo dos anos. Posso consultá-lo durante a sessão, se necessário.
Não se trata de ter um sistema impressionante. Trata-se de uma administração fiel. A mulher sábia de Provérbios 31 “...cuida do andamento da sua casa” (Pv31.27). Ela é atenta e preparada; não é pega desprevenida. Suas anotações e registros de casos fazem parte desse “cuidar bem” das almas que lhe foram confiadas. Estabeleça o sistema antes que uma crise o obrigue a agir.
5) Proteja seu próprio tempo com o Senhor
Em um período de muitos aconselhamentos, é tentador deixar que o tempo devocional se transforme, silenciosamente, em uma leitura profissional— abrir a Palavra e buscar material em vez de buscar a Deus. Essa prática é um roubo sutil e, com o tempo, manifesta-se na sua sala de aconselhamento como conselhos superficiais e de segunda mão, em vez de sabedoria forjada em sua própria caminhada com Cristo.
Alguns dos conselhos mais valiosos que dei a outros não vieram de livros, mas de momentos sem pressa nas Escrituras e em oração — lutando com um salmo, em atitude de confissão, simplesmente aquietando-me diante de Deus sem a intenção de produzir nada. Davi não alcançou a sabedoria escrevendo salmos como para outras pessoas; ele escreveu a partir de sua própria comunhão com Deus, e esse transbordar tornou-se sabedoria para toda a congregação de Israel. O conselho que flui do seu próprio tempo com o Senhor carrega uma profundidade que materiais emprestados de outros jamais terão.
6) Mantenha-se humilde — você é apenas um instrumento
É muito fácil esquecer que somos apenas o meio escolhido por Deus para um fim quando algum aconselhado diz: "Isso mudou tudo para mim". Seja grato naquele momento e, logo em seguida, direcione essa gratidão a Deus. Foi Ele quem realizou a obra. Você é, no máximo, uma ferramenta nas mãos do Redentor — útil, mas não indispensável e, certamente, não divino. Paulo afirma novamente: "Afinal, quem é Apolo? Quem é Paulo? Servidores por meio dos quais vocês creram" (1 Co 3:5).
Os conselheiros que mais respeito não são aqueles que possuem as estruturas teóricas mais brilhantes ou a oratória mais eloquente. São aqueles que permanecem visivelmente humildes — prontos para orar, prontos para dar precedência às Escrituras em vez das suas próprias opiniões, prontos para dizer: "Não sei; vamos levar isso ao Senhor juntos". Cultive essa humildade agora, antes que qualquer sucesso tenha a chance de convencê-lo do contrário.
Conclusão
Eu adoraria dizer que adotar essas práticas torna o aconselhamento bíblico mais fácil, mas não é o caso. Elas o tornam sustentável. O trabalho que temos pela frente não consiste, em última análise, em demonstrar nossas habilidades aos aconselhados, mas em apresentar-lhes um Redentor que é paciente com pessoas quebrantadas — incluindo os conselheiros quebrantados que estão sentados diante delas.
Perguntas para reflexão
1 - Em que parte da sua atual demanda de aconselhamento você se sente tentado a assumir a responsabilidade por um resultado que pertence somente a Deus?
2 - Pense em alguém aconselhado que se afastou ou resistiu à mudança. Qual é a lição honesta a ser aprendida aí, independentemente de qualquer sensação de fracasso pessoal?
3 - Sua agenda semanal reflete realmente o custo de preparação, ou você está silenciosamente tirando esse tempo do descanso, da família ou da sua própria caminhada com o Senhor?
4 - Que esquemas você utiliza atualmente para anotações e acompanhamento? Onde um novo conselheiro poderia encontrar dificuldades caso não tivesse um esquema assim?
5 - Quando foi a última vez que você abriu as Escrituras sem nenhum objetivo além de encontrar-se com Deus? Como seria possível proteger esse momento nesta semana?
Sobre o autor
Josh Weidmann é casado com Molly, e juntos estão criando seis filhos. Ele é autor e atua como pastor sênior da Grace Chapel em Denver, Colorado. É conselheiro bíblico certificado pela Association of Certified Biblical Counselors(ACBC) e doutorando no Southern Seminary. Josh publica conteúdo regularmente em joshweidmann.com.
Tradução e Edição: Alex Mello
Revisão: Lucas Sabatier
Traduzido sob autorização da Biblical Couseling Coalition e publicado originalmente em:https://www.biblicalcounselingcoalition.org/2026/07/17/what-i-wish-someone-told-me-before-my-first-counseling-session/



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