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Quando a Vitimização se Torna Identidade: Como a Autocomiseração nos Mantém Presos – e o Caminho de Deus para a Liberdade

há 1 hora
5 min de leitura

Por: Joy Forrest

Nunca deixo de me maravilhar com a obra redentora do nosso Salvador. Após três décadas caminhando ao lado de vítimas de crueldade e abuso indizíveis, testemunhei Deus transformar cinzas em beleza de maneiras que ainda me deixam assombrada. Essas histórias de redenção são o motivo pelo qual continuo em um ministério que muitos preferem evitar.


Uma das partes mais difíceis deste trabalho, no entanto, é observar pessoas que nunca superam seu vitimismo. Escolho minhas palavras com cuidado porque as vítimas genuínas são frequentemente descartadas com a expressão "mentalidade de vítima", minimizando os profundos efeitos do trauma. A vitimização é real, e as Escrituras nunca a minimizam. Em vez disso, Deus nos ordena a defender os oprimidos, a carregar os fardos uns dos outros e a cuidar bem daqueles que sofrem (Isaías 1.17; 58.6-10; Salmo 10.18; 82.3; Mateus 25.31-46; Gálatas 6.2).


O trauma é sério, mas as Escrituras também nos asseguram que não fomos feitos para permanecer derrotados pelo que nos aconteceu (Salmo 147.3; Jeremias 17.14; 30.17; 2 Coríntios 4.8-9, 16; Romanos 12.2; Isaías 26.3; Filipenses 4.6-7). Através de Cristo, superar o trauma e a desesperança é possíveis.


Após anos trabalhando com vítimas crônicas – e tendo sido uma delas eu mesma – percebi um padrão comum: a autocomiseração.


Durante anos, após sofrer e escapar de abusos, eu sentia pena de mim mesma. Oscilava entre a depressão e a remissão, e eventualmente cheguei a ter pensamentos suicidas. Meu sofrimento se tornou a lente através da qual eu enxergava tudo. Finalmente, percebi que precisava parar de fazer do vitimismo a minha identidade. Em vez de ficar constantemente relembrando minha dor para os outros, aprendi a entregar meu coração a Deus. Escolhi acreditar em Suas promessas em vez de permitir que a autocomiseração escrevesse a história da minha vida.


Essa decisão não apagou os efeitos do trauma da noite para o dia. Superar levou tempo, e meu corpo ainda carregava as marcas do que eu havia sofrido. Mas rejeitar a autocomiseração e seguir a Cristo mudou o rumo da minha vida. Ao aprender a aplicar a Palavra de Deus, encontrei a liberdade.


Quando a vitimização se torna identidade


Após experimentar essa liberdade, comecei a compartilhar essas verdades com outras pessoas. Vi Deus realizar curas extraordinárias na vida de muitos sobreviventes. No entanto, também descobri que algumas pessoas pareciam quase inacessíveis. Nenhuma quantidade de encorajamento penetrava seu desespero. Em vez disso, esperavam que outros assumissem a responsabilidade por sua felicidade e frequentemente criticavam aqueles que tentavam ajudá-las.


Ironicamente, depois de anos aconselhando vítimas de violência doméstica, descobri que os agressores costumam ser ainda mais consumidos pela autocomiseração do que suas vítimas. Eles usam seu sofrimento – real ou imaginário – para manipular os outros. Nada nunca é suficiente, porque a autocomiseração exige continuamente mais.


Vemos essa atitude em João 5 1-15. Quando Jesus perguntou ao homem no tanque de Betesda se ele queria ser curado, o homem imediatamente se concentrou em suas circunstâncias e no fato de que ninguém estava ali para ajudá-lo. Depois de curá-lo, Jesus finalmente o adverte: não pequeis mais, para que não te suceda coisa pior”.


Curiosamente, ao contrário de muitos outros relatos de cura, João não registra nenhuma expressão de gratidão por parte do homem.


Escolher a gratidão em vez da autocomiseração.


João 9 apresenta um contraste impressionante. Depois que Jesus curou o cego de nascença, sua reação foi completamente diferente. Ele professou abertamente sua fé em Cristo, apesar da intensa oposição. De muitas maneiras, suas circunstâncias se tornaram mais difíceis após a cura, mas ele testemunhou cada vez mais o que Jesus havia feito e, por fim, respondeu a Ele com fé e adoração.


O rei Davi demonstrou a mesma compaixão. Embora tenha passado anos fugindo para salvar a vida, ele repetidamente escolheu louvar a Deus na presença de seus inimigos, em vez de permitir que a adversidade o definisse.


Os homens em João 5 e João 9 passaram por dificuldades. Ambos experimentaram o poder de Deus. No entanto, para mim, as respostas que registraram a respeito de Jesus são surpreendentemente diferentes.


A mesma escolha se apresenta diante de nós.


A escolha que muda tudo


Viver em um mundo caído significa que muitos de nós experimentaremos profunda injustiça. Deus se entristece com esse sofrimento e o compreende plenamente (Hebreus 4.15). Entretanto, Ele é um Redentor que não desperdiça nada. Ele pode transformar o luto em dança (Salmo 30.11) e usar até mesmo nossas maiores aflições para nos conformar à imagem de Cristo (Romanos 8.29).


Mas precisamos escolher se vamos confiar nele.


A saída para a autocomiseração é a gratidão. Pessoas gratas se tornam doadoras em vez de receptoras. Jesus disse: "Há mais felicidade em dar do que em receber" (tradução livre). As Escrituras nos lembram que Deus já nos abençoou com todas as bênçãos espirituais em Cristo (Efésios 1.3) e declaram que somos "mais que vencedores" por meio dEle (Romanos 8.37).


Não podemos controlar tudo o que nos acontece, mas podemos escolher se o sofrimento nos definirá ou se Cristo o fará.


Essa escolha não é fácil, mas Deus capacita aqueles que confiam Nele. Ao longo dos anos, tenho visto Ele redimir vidas que pareciam completamente sem esperança. As pessoas que experimentam essa redenção não são aquelas com as circunstâncias mais fáceis – são aquelas que escolhem crer em Deus em vez de ceder à autocomiseração. O que nos aconteceu faz parte da nossa história, mas não define nossa identidade. Nossa identidade se encontra somente em Cristo.


Questões para reflexão


De que maneiras o sofrimento passado moldou sua identidade ou você está buscando sua identidade em Cristo?

Você está levando sua dor a Deus de uma maneira que o conduza a graça, ou ficou preso em padrões de autocomiseração?

Em qual promessa da Palavra de Deus você pode escolher acreditar hoje, em vez de permitir que seu passado defina seu futuro?


Sobre a autora: Joy Forrest é a fundadora e diretora executiva do Called to Peace Ministries . Ela é autora de "Called to Peace: A Survivor's Guide to Finding Peace and Healing After Domestic Abuse" (Chamada para a Paz: Um Guia de Sobrevivência para Encontrar Paz e Cura Após Abuso Doméstico) e do "Called to Peace Companion Workbook" (Caderno de Exercícios Complementar Chamada para a Paz ). Joy possui mestrado em Aconselhamento Bíblico pelo Southeastern Baptist Theological Seminary e atua no ministério de aconselhamento desde 2005. Ela é defensora das vítimas de abuso desde 1997 e ocupou o cargo de Educadora Comunitária em uma agência local de violência doméstica no início dos anos 2000. Joy é uma especialista colaboradora do currículo de grupos de apoio à recuperação Divorce Care e dos vídeos do Institute for Biblical Counseling and Discipleship sobre Aconselhamento para Vítimas de Abuso Doméstico. Em seu tempo livre, ela adora viajar e passar tempo com sua família, especialmente com seus 11 netos.


Artigo traduzido sob permissão da BCC (Biblical Counseling Coalition), sendo a responsabilidade exclusiva do autor e não correspondendo exatamente a uma posição oficial da ABCB. Publicado originalmente em:

Tradução: Alex Mello

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